A Rede Brasileira de História Pública tem a satisfação de anunciar a realização do 3º Simpósio Internacional de História Pública: História Pública em Debate de 28 a 30 de novembro de 2016, na Universidade Regional do Cariri.

O tema aglutinador escolhido para o evento abre-se para um elenco de tópicos bastante instigante e variado, propiciando o cruzamento de fronteiras entre diversas áreas de conhecimento e atuação, acadêmicas e não acadêmicas. Tal intercâmbio intelectual, empreendido entre pesquisadores e profissionais de várias áreas, contribuirá enormemente para a continuidade da Rede Brasileira de História Pública. Para tanto, este encontro tem como principal objetivo ampliar o espectro de prática social da história pública.

O 3º Simpósio Internacional de História Pública terá dentre suas atividades conferências, mesas redondas com debatedores convidados, oficinas, apresentações orais em painéis temáticos, sessões de comunicação de Iniciação Científica e Iniciação à Docência, apresentações lançamentos de livros e outros trabalhos.

 

Sobre a Universidade Regional do Cariri

O evento ocorrerá numa parceria com a Universidade Regional do Cariri-URCA, através do Departamento de História, o programa PROFHISTORIA e o DINTER URCA-UFF. Sediada nos municípios de Crato, Juazeiro do Norte, Missão Velha, Iguatu, Barbalha, Santana do Cariri e Campos Sales, a URCA atende a uma comunidade de aproximadamente 12.000 (nove mil) estudantes de cerca de 91 municípios dos Estados do Ceará, Piauí, Pernambuco e Paraíba, distribuídos entre os cursos de graduação, programas especiais e pós-graduação lato e stricto sensu. Ao longo dos seus 30 anos de funcionamento a Universidade atua como importante centro de fomento e desenvolvimento científico tecnológico na região Sul do Ceará.

 

Sobre a Rede Brasileira de História Pública

logo_sacolas_A4Os pilares da Rede Brasileira de História Pública foram construídos durante o “Curso de Introdução à História Pública”, ocorrido na Universidade de São Paulo (USP) em fevereiro de 2011, promovido pelo Núcleo de Estudos em História da Cultura Intelectual. O curso resultou no lançamento do livro “Introdução à História Pública” que reuniu autores brasileiros e estrangeiros; abrindo caminho para realização do “I Simpósio Internacional de História Pública: a história e seus públicos” realizado pelo Departamento de História da USP em julho de 2012. Tais iniciativas demonstraram a fertilidade do tema e a disposição de um número expressivo de pessoas em constituir um foro que acolhesse os diversos trabalhos em curso.

Em janeiro de 2013 foi lançada, na rede mundial de computadores, a página da “Rede Brasileira de História Pública” (RBHP): www.historiapublica.com. No intuito de divulgar a RBHP, em julho de 2013, se realizou o Simpósio Temático “A História Pública e os Públicos da História” durante o XXVII Simpósio Nacional de História – UFRN. E, em setembro de 2013, se reuniu o Grupo de Trabalho “História Pública e Oralidades” no X Encontro da Regional Sudeste da Associação Brasileira de História Oral – UNICAMP.

No dia 14 de novembro de 2013 ocorreu o encontro “História: vários públicos, várias narrativas” no Museu Histórico Abílio Barreto de Belo Horizonte, promovido pelos programas de pós-graduação em História das Universidades Federais de Minas Gerais (UFMG), Fluminense (UFF) e do Rio Grande do Sul (UFRGS). Tratou-se de um evento que se desdobrou no “II Simpósio Internacional em História Pública”, realizado em agosto de 2014 na UFF. Portanto, a perspectiva da realização do “III Simpósio Internacional de História Pública” vem ao encontro dessas iniciativas anteriores.

expressão história pública ultrapassa a ideia de acesso e publicização de concepções em vigor na academia. É necessário o estabelecimento de pontes entre o saber acadêmico construído e o trabalho não-científico, promovendo a difusão e o desenvolvimento de uma “história” que estimule a participação e colaboração das diversas “comunidades” fora/dentro do espaço universitário. Considera-se, assim, a necessidade da não supressão da ciência em favor da história pública, porém, o desejo de diálogo com as práticas e reflexões não acadêmicas compromissadas com a problematização da cultura histórica.

A história pública sugere práticas de responsabilidade político-social com a memória coletiva. Nesse sentido, a narrativa fílmica, a história oral e as inúmeras articulações visuais, verbais, sonoras e textuais podem contribuir para a elaboração e socialização da produção do conhecimento histórico. As necessidades e os interesses de uma comunidade podem inspirar projetos em história pública envolvendo os membros dessa coletividade, pesquisadores acadêmicos e não acadêmicos em colaboração.

Buscam-se no Brasil, diante da elasticidade da expressão “história pública”, oportunidades para abordar temas como: a relação entre o saber histórico e a diversidade de seus públicos; o impacto social da produção acadêmica brasileira na área de história; o papel dos intelectuais no espaço público; a função da história pública na divulgação e no gerenciamento do patrimônio material e imaterial; o impacto das novas mídias sobre as estratégias de produção e publicização da história; os diálogos entre a história e outras áreas de conhecimento aplicado, como o jornalismo, o cinema, a gestão de organizações, o turismo; a relação entre história e literatura, em múltiplos âmbitos da narrativa histórica: as biografias, os testemunhos, a ficção histórica. Nessa seara se estabelecem os pressupostos para a coprodução do saber problematizado sobre o passado, em um exercício no qual diferentes linguagens e metodologias se complementam e ajudam na percepção histórica para além dos espaços acadêmicos e escolares.

A diversidade de leituras e procedimentos da história pública incide sobre o conhecimento histórico, não apenas preocupada em atingir um público maior, mas aprender com ele, com suas mudanças e demandas. A história pública deve levar em conta as necessidades, os movimentos e os imaginários das comunidades nas quais está inserido, e pode contribuir na organização e divulgação de interesses múltiplos.

O conceito de história pública não é novo, mas a reflexão sobre sua especificidade no Brasil se expandiu nos últimos anos. Para além da divulgação de um conhecimento organizado e sistematizado pela ciência, a história pública revela a possibilidade de construção e difusão do conhecimento histórico – de maneira dialógica, integrada e responsável – por meio de centros de memória, museus, arquivos, televisões, rádios, cinemas, teatros, editoras, jornais, revistas, organizações governamentais e não governamentais, consultoria, entre outros espaços.

O debate sobre história pública no Brasil estimula reflexões sobre a atuação dos diferentes profissionais que lidam diretamente com as chamadas representações históricas. Vislumbra-se, ao integrar múltiplos campos e recursos, a história e seus diversos públicos em um caminho de conhecimento e prática. Experiências diversas dão mostra de como o debate sobre história pública continua a render frutos e pode ser ampliado e enriquecido, dentro e fora da academia.